Fleet Foxes: mais do que Indie

Desde quando surgiu a ideia de criar o Descontexto, queria escrever sobre Fleet Foxes. Por isso, talvez este seja um dos textos mais pessoais do blog

A vontade que faltava para escrever sobre a banda Fleet Foxes veio quando coloquei para tocar no meu carro um CD que tinha gravado há uns anos atrás com as melhores músicas deles.

Receber toda aquela carga de folk e indie que só eles conseguem fazer me remeteu a muitas coisas e é sobre elas que será o texto. Por isso, como avisei ali em cima, talvez seja um dos meus textos mais pessoais no blog, competindo de frente com o artigo do Clube dos Cinco.

Conhecendo Fleet Foxes

Conheci Fleet Foxes quando estava ainda no Colégio, meu nobre amigo João Pedro, que me acompanha desde os 4 anos de idade, estava me contando que o seu pai tinha encontrado uma boa banda ao meio de suas pesquisas no falecido Emule ou em algum programa similar.

Quando ele colocou para tocar, na hora minha cabeça explodiu. A música era “Mykonos”, talvez a mais famosa deles, que inclusive foi utilizada no filme “Um Parto de Viagem” na situação mais roadtrip possível.

Não precisa conhecer a ilha grega de Mykonos para vir imagens na cabeça sobre um ambiente pouco tocado pelo homem, com belezas naturais incríveis. Pelo menos era assim que a minha mente funcionava ao ouvir Fleet Foxes.

Quanto mais descobria músicas, discos e EPs da banda, mais canções espetaculares eu ouvia e por um motivo que ainda não sei explicar, diversas imagens surgem quando estou escutando Fleet Foxes.

Não precisa entender inglês para ter esta sensação, já que na época que conheci a banda, não entendia tanto do idioma bretão. Mas por algum motivo, esse tipo de associação acontecia.

O que ocorria era que me transportava para lugares com paisagens similares da cidade de origem do Fleet Foxes, Seattle, no estado de Washington. Por motivos evidentes, isso não deve acontecer apenas comigo, já que este sentimento está incrustado nas letras e nos ritmos das suas músicas.

Vista do Parque Nacional Mount Rainier na região de Seattle. Uma paisagem que vinha na mente mesmo sem saber de onde era Fleet Foxes – Reprodução

Gostando de Fleet Foxes

Fleet Foxes deve ser uma das poucas bandas que ouço sempre. Claro que não é todo dia ou todo mês, mas desde o momento que conheci a banda, sempre existe alguma hora para escuta-los.

Ao conhecer melhor os discos, fui me encantando com canções que tocavam profundamente minha sensibilidade. Não era a mente que estava digerindo aquelas músicas, mas sim algo além disso.

Foi o caso de “Your Protector”, que sugiro pararem a leitura e apenas ouvir esta música.

Esta é a música favorita de outro grande amigo que conheci na faculdade. Não lembro exatamente em qual situação, mas estávamos conversando eu e Rafael sobre música, que ele entende tão bem, já que é um estudioso desta arte.

Surpreendentemente ele fala que uma das suas bandas favoritas é Fleet Foxes e que, mais do que isso, julga as pessoas com base se gostam ou não da banda. Não gostou deles? Essa pessoa deve ser terrível. Gostou? Essa pessoa deve ser ótima!

Talvez seja meio radical ser assim e eu sei que esta é uma daquelas brincadeiras com fundo de verdade, mas a coisa é mais ou menos por aí.

Uma vez estava fazendo uma prova em dupla com uma colega e não sei como, mas começamos a falar de Fleet Foxes e como para ela essa era a banda que ela mais “pirava”.

Eu entendi a razão para ela falar isso… Quanto mais a gente ouve Fleet Foxes, mais queremos dar atenção a cada melodia, a cada frase cantada. E com o passar do tempo, fui entendendo melhor a banda.

Respeitando Fleet Foxes

Agora é um momento denúncia no artigo! O nosso editor e meu amigo Fabio, não é lá tão fã de bandas indies ou folk. Basicamente a regra para ele é: surgiu no século XXI, não merece meu respeito.

Mas brincadeiras à parte, nas muitas vezes que conversamos sobre estas bandas que surgiram mais recentemente, ele falou algo que tem razão. Parece que todas as bandas fazem a mesma música. Batidas mais simples, letras falando das mesmas coisas e muito OOOOHHHH, AHHHH, UUUUHHHH, HEY. Fazendo uma recuperação mental destas bandas, uma delas resume isto, a música Little Talks do Of Monsters and Men.

Porém, Fleet Foxes também tem muito OOOOHHHH, AHHHH, UUUUHHHH e nenhum HEY. Os arranjos vocais são uma característica marcante na banda, principalmente nos dois primeiros discos. Mas este é bem empregado, porque é quase que um instrumento na composição das canções.

E Fleet Foxes tem o respeito do Fabio, talvez porque a sua irmã é uma mega fã e a invejo por ter vinis da banda.

Da minha parte, o respeito veio justamente pela composição, como escrevi agora pouco. As letras, as melodias de cada instrumento utilizado mais estes arranjos vocais formam uma vibe que apenas o Fleet Foxes conseguiu transmitir nos últimos tempos.

Por enquanto, não encontrei nada parecido com que foi produzido por eles, algo que chega próximo é a trilha sonora de “Into the Wild”, que para mim consegue passar esta sensação de natureza, mas nada tão intenso como Fleet Foxes, ao ponto da música vir junto com imagens mentais. Talvez não seja coincidência, mas Eddie Vedder, compositor das músicas de “Into the Wild” é de uma das bandas mais famosas de Seattle, o Pearl Jam.

Por outro lado, o principal motivo do meu respeito é o fato deles ousarem em várias composições, mostrando que são excelentes músicos, que não estão na cena indie apenas para ser mais um no meio, mas fazendo jus ao termo “indie”, que vem de independent, ou independente em português.

Esta sensação que sempre remeto aqui no texto passa também por uma ousadia de deixar a música crua. Este termo não é para diminuir o trabalho feito pelo Fleet Foxes, mas sim porque conseguem transmitir algo que não vem apenas de humanos, mas de algo maior, como a própria natureza.

A ousadia que falo pode ser transmitida por essa música, que é uma das minhas favoritas:

Ouvindo Fleet Foxes

Passando agora pela última etapa do texto, chego também ao último disco feito pela banda. Após um hiato, Fleet Foxes volta a se reunir e oito anos depois lança um CD inédito, mais conceitual, o “Crack-Up”.

Em um primeiro momento, senti falta do banjo, dos arranjos vocais e das imagens na mente. Mas depois de ouvir o disco algumas vezes, comecei a entender que essa era uma produção diferente, que o Fleet Foxes apresentou um aprofundamento em sua música, mostrando uma composição mais consistente.

Esta música do disco evidencia isto:

E hoje, a vez mais recente que ouvi esse disco, a imagem da banda tocando em volta de uma fogueira ao meio de uma floresta pacífica veio ao ouvir esta música:

Senti que neste momento o ciclo estava completo, a identidade que eu tinha do Fleet Foxes estava mais uma vez perseverando em mim.

Ouvir Fleet Foxes para mim é um daqueles momentos que dá para parar por um tempo no nosso dia apenas para sentir a música e tentar registrar as sensações que passam internamente. E afinal de contas, não é para isso que serve a arte?

Para concluir, não vou utilizar de um parágrafo escrito por mim, mas sim por uma das músicas que mais simboliza a banda, junto com a imagem que é título da canção. Aproveitem Fleet Foxes.

As Montanhas Blue Ridge, uma subcordilheira dos Montes Apalaches e que passa pelos estados da Virgínia, Tennessee, Carolina do Norte e Carolina do Sul nos Estados Unidos – Reprodução

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