O que esperar do Oscar 2019?

As premiações da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas – mais conhecido como Oscar – deste ano prometem… Como em todos os anos. Porém, em 2019 existem peculiaridades que podem transformar o evento mais importante do cinema no ano em um tabuleiro político bastante interessante.

Oscar 2016

Não, não erramos o ano aqui em cima. As premiações da Academia de três anos atrás geraram uma polêmica que alcança até o Oscar 2019. Em 2016, muitos artistas fizeram críticas pela falta de representatividade negra nas indicações da premiação daquele ano. Não era apenas 2016, o ano anterior também foi marcado pela falta de negros nas principais indicações.

Tal fato foi duramente criticado pelo apresentador do evento da vez, o comediante Chris Rock, que ironizou a situação logo no primeiro discurso da noite. Os principais prêmios – melhor diretor, melhor ator, melhor ator coadjuvante, melhor atriz e melhor atriz coadjuvante – não tinham nenhum indicado negro.

Outro grande evento que durou todo o ano de 2016 foram as eleições presidenciais que culminaram na escolha de Donald Trump como presidente dos Estados Unidos. Durante este período, muito do debate sobre a representatividade permeou a produção artística deste ano.

Após o evento, a hashtag #OscarsSoWhite bombou mundialmente. Traduzindo: Oscar muito branco ou Oscar para brancos. Mas não era apenas uma questão racial, muito foi falado sobre a representatividade feminina nos indicados às premiações. De acordo com o Hollywood Reporter, apenas 24% dos indicados eram mulheres.

As premiações antes de 2019

As consequências das polêmicas das premiações da Academia de 2016 alcançaram as premiações de 2017, 2018 e agora o Oscar 2019.

Em 2017, o Oscar teve recorde em indicações de negros, foram 6, destaque para Mahershala Ali, ganhador do prêmio de melhor ator coadjuvante por Moonlight, que além de ser negro, também é muçulmano, o primeiro a ganhar o Oscar.

Foram sete atores minoritários e seis atores negros. Além disso, tinha indicados negros nas premiações de roteiro e melhor diretor, o quarto da história do Oscar.

E o vencedor de melhor filme deste ano foi La La Land! Ops, tivemos um engano aqui, foi na realidade Moonlight!

Apesar da confusão que teve no momento do anúncio do melhor filme de 2017, devemos ressaltar que Moonlight era um filme que tratava justamente sobre dois preconceitos: o racismo e a homofobia.

Isso gerou uma certa discussão se a Academia não estava tentando compensar os anos anteriores sem qualquer representatividade, algo que se repetiu na premiação do ano passado.

Já em 2018, o grande ganhador do Oscar foi o filme A Forma da Água, que foi assunto de um dos primeiros artigos do Descontexo escrito pelo Fabio. Além de ganhar o melhor filme, também ganhou a melhor direção: Guilhermo del Toro, diretor mexicano do filme.

Ao meio de tantas polêmicas de muro e Trump, a Academia premiou um latino não apenas com a melhor direção, mas também com o melhor filme. Além disso, o melhor roteiro original foi para Jordan Peele, por “Corra!”, filme de terror que é uma crítica até violente ao racismo nos Estados Unidos. E no Oscar 2019, o que ele nos promete?

As premiações de 2019

Fazendo uma breve análise dos indicados ao Oscar 2019 já vemos que todo esse assunto da representatividade negra veio com tudo mais uma vez. Em melhor filme temos três filmes que tratam diretamente sobre o racismo: Pantera Negra, Green Book e Infiltrados no Klan.

Por outro lado, para os indicados de melhor ator, não temos nenhum negro, repetindo assim a premiação do ano de 2016. Além disso, temos como indicado para melhor filme o longa Vice, que trata sobre o vice-presidente republicano dos Estados Unidos durante o governo Bush de 2001 a 2009.

Indo na direção oposta, temos um negro e um mexicano nos indicados a melhor diretor.

Ou seja, o que vamos ter nos Oscar 2019 é um verdadeiro jogo político de puxa para lá, puxa para cá. O que é interessante, porque a arte também é política.

E para completar toda essa trama do Oscar 2019, aconteceu a polêmica do apresentador das premiações deste ano. Oficialmente estava indicado para o comediante negro Kevin Hart ser o apresentador, porém, tuítes antigos da sua conta vieram à tona com piadas homofóbicas.

O resultado? Kevin Hart desistiu de apresentar o Oscar 2019, dois dias de anuncia-lo como o host oficial. A decisão da Academia foi de não ter um apresentador na edição deste ano, que será a primeira desde 1989 desta forma.

Por fim, o Oscar 2019 teve uma polêmica que é resultado de algo que está relatado no artigo sobre Pantera Negra. A Academia pensou em ter uma nova categoria neste ano, a do filme “mais popular”. A ideia é reconquistar a audiência perdida na transmissão da cerimônia e incluiria filmes de grande sucesso no público e que nem sempre são indicados pela Academia.

Há muitos anos percebe-se que a audiência não se interessa mais em assistir o Oscar pela televisão e que os filmes com os maiores blockbusters nunca são indicados. A última vez que isso ocorreu talvez tenha sido em 2004 com o Senhor dos Anéis: O Retorno do Rei.

Depois de muita polêmica e discussão, os membros da Academia optaram por não incluir este prêmio no Oscar 2019. Consequência das muitas críticas dadas pelo fato de estarem premiando há 90 anos as melhores expressões da arte e não o que o público decide como bom ou ruim.

Injustiçados

Antes mesmo das nomeações oficiais, muitos nomes eram considerados certos este ano, como Timothee Chalament (Ator Coadjuvante), Steve Carell (Melhor Ator), Ethan Hawke (Melhor Ator), Peter Farrelly (Melhor Ator), Toni Collete (Melhor Atriz), Aquaman (Efeitos Visuais), entre outros.

A internet, sábia e justiceira, não perdoou os últimos deslizes da Academia e, muito menos, a falta do queridinho do ano, Bradley Cooper (Nasce uma Estrela), na categoria de melhor diretor.

Mas aqui vale um começo de reflexão. O cinema independente, já há algumas décadas, questiona as formas de produção dos grandes longas. Fora dos grandes estúdios, não há necessidade de uma equipe tão grande e o trabalho é bem menos industrial. A ideia é que, trabalhos como a atuação, seja construída de forma eminentemente sensível. A busca por uma entrega emocional no trabalho pode ficar, inclusive, acima das questões comerciais e mercadológicas.

Quando escutamos os atores de Nasce Uma Estrela falar sobre a experiência de feitoria do filme, entendemos que Bradley Cooper buscou uma produção diferente para o filme. Cooper, por exemplo, reduziu a equipe nas cenas com mais densidade dramática. É o tipo de atitude que dá mais liberdade e segurança para as expressões criativas na gravação do filme, algo bastante estressante e caro. Com isso, Lady Gaga pôde imergir melhor em seu processo de criação, em uma atmosfera propícia para a criação.

Será que uma instituição que luta para construir uma boa imagem no mundo contemporâneo e ainda cria polêmicas pela falta de representatividade negra, latina e feminina iria premiar um diretor que realiza filmes de forma um pouco diferente do que o mainstream faz? O Oscar 2019 se quer deu uma chance para Bradley Cooper. E a internet não gostou nada disso. Eles só queriam mesmo uma nomeação.

Conclusão

Polêmicas à parte, o Oscar 2019 começa a criar essa discussão sobre a arte para poucos ou para o público. Talvez na premiação do próximo ano isto esteja mais evidente. Porém, o evento continua sendo uma referência para a sétima arte, ditando para todos nós quais são os melhores filmes produzidos no ano. Não podemos perder essa, não é mesmo?

E para você acompanhar da melhor forma as premiações, preparamos vários textos sobre cada longa indicado a melhor filme, para que você esteja preparado na hora de anunciarem o grande vencedor da noite.

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